Misturar diesel S10 com S500, de vez em quando e em pequena quantidade, não vai causar um estrago imediato no seu motor. É como misturar café forte com café mais fraco: a bebida muda um pouco, mas ainda é café. A principal diferença entre os dois é a quantidade de enxofre: o S10 tem no máximo 10 partes por milhão (ppm) de enxofre, enquanto o S500 pode ter até 500 ppm. Esse enxofre a mais no S500 ajuda a lubrificar um pouco mais o sistema de injeção, mas também produz mais resíduos e pode "sujar" mais o motor e o filtro de partículas (se o seu carro tiver um).
O problema maior é se você fizer essa mistura como regra, principalmente em veículos mais novos projetados para o S10. O excesso de enxofre do S500 pode, com o tempo, saturar e entupir o filtro de partículas diesel (FAP), um componente caríssimo para trocar. Além disso, a queima do combustível com mais enxofre gera mais depósitos de carbono nos bicos injetores e nas válvulas, podendo reduzir a performance e aumentar o consumo.
Se você abasteceu por engano uma vez ou está em uma situação de emergência onde só tem S500 disponível para completar o tanque, fique tranquilo. O veículo vai funcionar. O ideal é depois voltar a abastecer com o combustível correto para o seu modelo (geralmente o S10 para carros a diesel a partir de 2012). Para veículos mais antigos, sem tecnologia tão avançada de controle de emissões, o impacto é menor, mas ainda assim o S10 é mais limpo e benéfico.
Na dúvida, sempre consulte o manual do proprietário do seu veículo. Ele vai indicar qual o tipo de diesel recomendado pelo fabricante. Se após uma mistura você notar perda de potência, fumaça preta em excesso ou luzes de alerta no painel, é sinal para procurar um mecânico de confiança para fazer uma avaliação, principalmente para verificar o estado do sistema de injeção e do filtro de partículas.