Descobrir a quilometragem real de um carro usado é uma das maiores preocupações na hora da compra, porque muita gente infelizmente 'baixa' o hodômetro para valorizar o veículo. O primeiro passo é sempre verificar a documentação: pegue o histórico de revisões no manual de serviço, onde as concessionárias e oficinas especializadas registram a quilometragem a cada manutenção. Também consulte o relatório de sinistros do seguro (como o Registrato do SPC) e o histórico de transferências no documento do carro, que às vezes tem anotações de quilometragem.
A inspeção física do carro é tão importante quanto os papéis. Olhe o desgaste dos pedais, especialmente do acelerador e freio, e compare com o volante e a alavanca de câmbio - se o volante está liso e os pedais parecem novos, desconfie. Verifique também o banco do motorista: se o estofamento está muito afundado ou com rasgos, enquanto o carro tem pouca quilometragem, algo não bate.
Peça para um mecânico de confiança conectar a máquina de diagnóstico no veículo. Muitos carros modernos, principalmente os fabricados depois de 2010, armazenam a quilometragem real na central eletrônica (ECU), e mesmo que o painel seja alterado, o computador de bordo pode guardar o número verdadeiro. O profissional também pode avaliar o desgaste de componentes como correias, pastilhas de freio e pneus, que normalmente seguem uma vida útil proporcional aos quilômetros rodados.
Desconfie de preços muito abaixo da média e de vendedores que não permitem vistoria completa. Se o carro tem 5 anos mas parece ter 50 mil km, mas os pneus são os originais e já estão carecas, é sinal de alerta. No Brasil, infelizmente ainda é comum a adulteração, então invista numa boa avaliação pré-compra - pode parecer gasto à toa, mas evita uma dor de cabeça gigante depois.